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Fatores de Risco Cardiovascular: Tradicionais e Emergentes

  • Foto do escritor: Dr. Daniel Nunes
    Dr. Daniel Nunes
  • 9 de abr.
  • 3 min de leitura

As doenças cardiovasculares continuam sendo a principal causa de morte no mundo. A boa notícia é que grande parte desses eventos — como infarto, AVC e insuficiência cardíaca — pode ser evitada. Para isso, é essencial identificar e controlar os fatores de risco, que são condições ou hábitos que aumentam a probabilidade de desenvolver doenças no coração e na circulação.


Tradicionalmente, a cardiologia sempre considerou fatores como tabagismo, hipertensão e colesterol alto. Mas nos últimos anos, novos estudos identificaram também “fatores emergentes”, ligados ao estilo de vida moderno, ao ambiente e até a infecções virais.


Conhecer esses fatores é o primeiro passo para um cuidado cardiovascular eficaz e personalizado.


A. Fatores de Risco Tradicionais

Esses são os fatores clássicos, amplamente comprovados como relacionados ao aumento do risco de doença cardiovascular.


1. Tabagismo

O cigarro é um dos fatores de risco mais agressivos para o coração.Ele acelera a aterosclerose, aumenta a pressão arterial e deixa o sangue mais propenso a formar coágulos.

Fumantes têm risco até duas a quatro vezes maior de sofrer infarto ou AVC.


2. Colesterol alto (principalmente LDL elevado)

O LDL é o colesterol que se deposita nas artérias, formando placas que podem entupir os vasos. Quanto maior o LDL, maior o risco cardiovascular.

Reduzir o LDL é uma das formas mais eficazes de prevenir eventos cardiovasculares.


3. Hipertensão arterial

A pressão alta força o coração a trabalhar mais e causa danos diretos nas artérias.É um dos fatores mais silenciosos e perigosos, porque pode passar anos sem sintomas.


4. Obesidade


O excesso de gordura corporal, especialmente a gordura abdominal, aumenta o risco de:

  • diabetes

  • hipertensão

  • dislipidemia

  • inflamação crônica


A combinação desses fatores multiplica o risco cardiovascular.


5. Diabetes

A glicose alta danifica vasos sanguíneos e nervos, acelerando a aterosclerose.Pacientes diabéticos têm risco 2x a 4x maior de infarto.


6. Histórico familiar

Quando pais ou irmãos têm doença cardiovascular precoce, o risco do indivíduo aumenta significativamente.Isso reflete influência genética e também padrões familiares de estilo de vida.


B. Fatores de Risco Emergentes


Além dos fatores tradicionais, o estilo de vida moderno e novas descobertas científicas revelaram outros elementos que também afetam o coração.


1. Sedentarismo e estilo de vida digital


Com o aumento do uso de smartphones, computadores e redes sociais, as pessoas passam:

  • mais tempo sentadas

  • menos tempo em movimento

  • mais horas expostas a telas

O sedentarismo está diretamente ligado a obesidade, diabetes, hipertensão e aumento da inflamação.


A OMS considera o sedentarismo um dos maiores problemas de saúde pública da atualidade.


2. Poluição do ar e poluição sonora


A exposição prolongada à poluição atmosférica — especialmente partículas finas (PM2.5) — causa inflamação sistêmica, estresse oxidativo e disfunção endotelial.


Todos esses mecanismos favorecem infarto e AVC.

Ruído urbano (trânsito, obras, aeroportos) também está associado a:

  • aumento da pressão arterial

  • distúrbios de sono

  • estresse crônico

O que aumenta o risco cardiovascular.


3. Estresse crônico e saúde mental


Estresse prolongado, ansiedade e depressão podem:

  • elevar a pressão arterial

  • aumentar hormônios como cortisol

  • piorar hábitos alimentares

  • reduzir a prática de atividade física

O impacto emocional tem reflexo direto nas artérias e no coração.


4. Distúrbios do sono


Dormir mal — tanto pela falta de horas de sono quanto pela má qualidade — está relacionado a:

  • resistência à insulina

  • hipertensão

  • obesidade

  • inflamação crônica


Quem dorme menos de 6 horas por noite tem risco cardiovascular significativamente maior.


5. Infecções virais (como COVID-19)


Algumas infecções podem desencadear inflamação intensa e alterações no sistema vascular.

 A COVID-19, por exemplo, pode causar:

  • miocardite

  • espessamento das artérias

  • aumento de trombose

  • disfunção endotelial

Isso explica por que até jovens podem apresentar eventos cardiovasculares após a infecção.


6. Mudanças na dieta contemporânea


O consumo cada vez maior de:


  • alimentos ultraprocessados

  • fast food

  • açúcar e gorduras saturadas


contribui para:

  • obesidade

  • diabetes

  • hipertensão

  • aumento do LDL


Uma alimentação rica em vegetais, frutas, fibras, carnes magras e gorduras boas reduz expressivamente o risco.


Conclusão

A saúde cardiovascular depende da combinação de cuidados com fatores tradicionais e atenção aos fatores emergentes.

 É possível prevenir a maioria dos casos de infarto e AVC com:

  • alimentação equilibrada

  • prática regular de exercício

  • sono adequado

  • controle do estresse

  • abandono do cigarro

  • acompanhamento médico regular

A prevenção é sempre mais eficaz — e muito mais segura — do que o tratamento após o evento.


Fontes

  1. American Heart Association (AHA) – Cardiovascular Risk Factors

  2. World Health Organization (WHO) – Sedentary lifestyle and global disease burden

  3. European Society of Cardiology (ESC) – Guidelines on Cardiovascular Prevention

  4. Lancet, JAMA & Circulation – Estudos sobre poluição, estresse e risco cardiovascular

  5. Centers for Disease Control (CDC) – Sleep and Heart Health

  6. Nature & NEJM – Evidências sobre COVID-19 e risco cardiovascular


 
 
 

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