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Novas Metas e Tratamento da Dislipidemia: O Que Mudou e Como Avaliar o Risco Cardiovascular

  • Foto do escritor: Dr. Daniel Nunes
    Dr. Daniel Nunes
  • 9 de abr.
  • 3 min de leitura

A dislipidemia — alteração nos níveis de colesterol e triglicerídeos — é um dos principais fatores de risco para infarto, AVC e outras doenças cardiovasculares. Por isso, as diretrizes mais recentes da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e de sociedades internacionais reforçaram a importância de metas mais rigorosas para o LDL-colesterol, o principal marcador envolvido na formação de placas de gordura nas artérias.


O grande avanço das diretrizes atuais é a estratificação detalhada do risco vascular, permitindo que cada paciente receba metas e tratamentos adequados ao seu perfil.


1. Por que o LDL-colesterol é tão importante?


O LDL (colesterol “ruim”) é o principal responsável pela formação de placas de aterosclerose, que podem levar ao entupimento das artérias.

Valores elevados de LDL aumentam diretamente a chance de:

  • Infarto do miocárdio

  • Acidente vascular cerebral (AVC)

  • Doença arterial periférica

  • Morte cardiovascular

Reduzir o LDL significa reduzir risco, com benefícios proporcionais à intensidade da queda.


2. Como fazemos a estratificação de risco?


A avaliação do risco cardiovascular combina fatores clínicos, laboratoriais e, quando necessário, exames de imagem.


O médico considera:

  • Presença de doença cardiovascular aterosclerótica

  • Diabetes

  • Doença renal crônicaHipertensão arterial

  • Obesidade e síndrome metabólica

  • Tabagismo

  • Idade

  • Histórico familiar

  • Escore de cálcio coronariano e angiotomografia, quando necessários

Essa classificação determina a meta de LDL e a intensidade do tratamento.


3. Novas metas de LDL-colesterol da SBC (2024/2025)


Com base no conteúdo apresentado pela SBC, as metas ficam assim:


• Baixo risco

LDL-c < 115 mg/dL (redução ≥ 30%) Não-HDL-c < 145 mg/dL


• Risco intermediário

LDL-c < 100 mg/dL (redução ≥ 30%) Não-HDL-c < 130 mg/dL


Alto risco

LDL-c < 70 mg/dL (redução ≥ 50%) Não-HDL-c < 100 mg/dL


• Muito alto risco

LDL-c < 50 mg/dL (redução ≥ 50%) Não-HDL-c < 80 mg/dL


• Risco extremo

LDL-c < 40 mg/dL (redução ≥ 50%) Não-HDL-c < 70 mg/dL


Quem é risco extremo?

 Pacientes com múltiplos eventos cardiovasculares, ou 1 evento cardiovascular maior + duas ou mais condições de alto risco.


4. Por que as metas estão mais baixas?


As novas diretrizes refletem a evidência científica acumulada:

  • Cada queda de 38 mg/dL no LDL reduz o risco de eventos em 20% a 25%

  • Quanto mais cedo o LDL é reduzido, maior o benefício

  • LDL persistentemente baixo diminui a progressão da aterosclerose

Por isso, as metas foram intensificadas especialmente para quem já tem doença aterosclerótica.


5. Como tratar: o que mudou na prática?


1) Estatinas: base do tratamento

São o tratamento inicial para a maioria dos pacientes.


2) Terapia combinada precoce (estatinas + ezetimiba)

Ganhou força nas novas diretrizes, especialmente para quem precisa de reduções maiores logo de início.


3) Inibidores de PCSK9

Indicados para casos em que estatina + ezetimiba não alcançam a meta.Podem reduzir LDL em acréscimo de 50%–60%.


4) Importância do não-HDL e ApoB

Esses marcadores ajudam a identificar risco residual, principalmente em pessoas com triglicerídeos altos.


5) Quando usar exames de imagem


Em casos de risco intermediário ou dúvidas de classificação, o médico pode solicitar:

  • Escore de cálcio coronariano

  • Angiotomografia coronariana

Esses exames detectam placas de gordura e auxiliam a decisão sobre intensificar ou não o tratamento.


6. Fluxograma de Estratificação de Risco Vascular


A seguir, insira aqui o fluxograma (imagem) fornecido:

Este fluxograma ajuda a visualizar como ocorre o processo de avaliação e tomada de decisão sobre metas de LDL e intensidade do tratamento.


Conclusão

As novas diretrizes reforçam a importância de personalizar o tratamento.Identificar com precisão o risco vascular e atingir a meta de LDL correspondente é uma das estratégias mais poderosas para prevenir infarto, AVC e outras complicações da aterosclerose.


Quanto mais cedo o tratamento é iniciado — e quanto mais adequada a meta — maior a proteção cardiovascular ao longo dos anos.


Fontes 

  1. Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) – Novas diretrizes brasileiras de dislipidemia 2024/2025. Referência: Doze por Oito – Cardiologia pela Doze por Oito. https://news.dozeporoito.com/p/as-novas-diretrizes-da-sbc

  2. European Society of Cardiology (ESC) – Guidelines for the Management of Dyslipidaemias.

  3. American College of Cardiology (ACC) / American Heart Association (AHA) – Cholesterol Guidelines.

  4. FOURIER Trial, ODYSSEY Outcomes – Estudos que confirmam benefício cardiovascular dos inibidores de PCSK9.


 
 
 

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